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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

IL RESTERA DE TOI - Vai ficar de Você



Ainda comovida com a prematura morte da atriz Márcia Cabrita, vi no Fantástico de 12 de Novembro uma belíssima homenagem do também ator, estupendo por sinal, Miguel Falabella. Resolvi pesquisar e encontrei várias fontes como referência. Vou colocar o citado poema com a primeira fonte encontrada na net. Vale a pena ler e refletir. Segue a versão original e a tradução.


Il Restera De Toi


1 - Il restera de toi 
Ce que tu as donné 
Au lieu de le garder 
Dans des coffres rouillés 
Il restera de toi 
De ton jardin secret 
Une fleur oubliée 
Qui ne s'est pas fanée 

Ce que tu as donné 
En d'autres fleurira 
Celui qui perd sa vie 
Un jour la trouvera 

2 - Il restera de toi 
Ce que tu as chanté 
A celui qui passait 
Sur son chemin désert 
Il restera de toi 
Une brise du soir 
Un refrain dans le noir 
Jusqu'au bout de l'hiver 

Ce que tu as chanté 
En d'autres jaillira 
Celui qui perd sa vie 
Un jour la trouvera 





3 - Il restera de toi 
Ce que tu as offert 
Entre tes bras ouverts 
Un matin de soleil 
Il restera de toi 
Ce que tu as perdu 
Que tu as attendu 
Plus loin que tes réveils 

Ce que tu as offert 
En d'autres revivra 
Celui qui perd sa vie 
Un jour la trouvera 


4 - Il restera de toi 
Une larme tombée 
Un sourire germé 
Sur les yeux de ton cœur 
Il restera de toi 
Ce que tu as semé 
Que tu as partagé 
Aux mendiants du bonheur 

Ce que tu as semé 
En d'autres germera 
Celui qui perd sa vie 
Un jour la trouvera




Vai ficar de Você

1 - Permanecerá de você 
O que você deu 
Em vez de mantê-lo 
Em cofres enferrujados 
Permanecerá de você 
De seu jardim secreto 
Uma flor esquecida 
Isso não desapareceu 

O que você deu 
Em outros florescerá 
Quem perder a vida 
Um dia encontrá 

2 - Permanecerá de você 
O que você cantou 
Para quem passou 
No caminho do deserto 
Permanecerá de você 
Uma brisa da noite 
Um coro no escuro 
Até o final do inverno 

O que você Cantou 
Em outros vai sair 
Quem perde a vida 
Um dia vai encontrar 





3 - Permanecerá de você 
O que você ofereceu 
Entre seus braços abertos 
Uma manhã de sol 
Permanecerá de você 
O que você perdeu 
O que você esperou 
Mais longe do que seus despertares 

O que você ofereceu 
Em outros vai reviver 
amor sua vida 
Um dia vai encontrá-lo 


4 - Permanecerá de você 
Uma lágrima caída 
Um sorriso brotado 
Nos olhos de seu coração 
Permanecerá em você 
O que você semeou 
Que você compartilhou 
Com os mendigos da felicidade 

O que você semeou 
Nos outros brotará 
Quem perder a vida 
Um dia vai encontrá




En savoir plus sur http://paroles2chansons.lemonde.fr/paroles-chansons-de-messe-d-enterrement/paroles-il-restera-de-toi.html#WVKeojkgmvq1jmgA.99





sábado, 3 de dezembro de 2016

TAO – A Sabedoria do Silêncio Interno


Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projectem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflicta a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.

Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e reflectindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.

Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reacções emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída.

Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.

Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.

Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incómodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.

Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.

O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projecção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.

Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afectam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.

Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.

Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.

Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO.

(Texto Taoísta)

domingo, 5 de junho de 2016

Por que Existem o Mal e o Sofrimento Humano?



Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando se chega pra cá?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que é que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Vivemos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Leandro Gomes de Barros

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O tempo em nossa vida


Te adoro com a força de dez anos atrás, multiplicado por mil.
Com o desejo de dez anos atrás, com a loucura de hoje.
Com a grandeza da lua que ilumina a terra, quando o sol já foi deitar.
Com o desespero da década perdida no tempo; apesar da distância, apesar dos pesares, apesar, apesar dos atropelos e dos desencantos e desencontros.
A ligação nunca foi cortada,  é umbilical, é celestial. 
É elástica e nos levou a outros caminhos, depois nos puxou de volta ao epicentro, caímos de frente um ao outro, como em dez anos atrás. 
E o que dizer disso?
Estamos errados? O mundo nos condenaria? 
Então vivamos a nossa lei, sendo regida como uma partitura por seu maestro, com suas mãos delicadas, fazendo curvas no vento. 
Dentro do nosso mundo, da nossa forma, errada ou certa, como entendermos, como merecemos, como achamos que tem de ser.
E que seja eterno, que seja supremo, para que os próximos dez anos não sintam inveja nenhuma dos outros dez que passaram.

By 
Laugyls Girdlys

domingo, 18 de outubro de 2015

Pessoa infeliz (Gaudrya Tonaco)


Às vezes a tristeza me faz muito refletir 
é uma insegurança que só faz sofrer 
vontade que apareça um sinal pra valer 
que me tome às incertezas, dizer o que fazer

 Não vivo o presente pensando no futuro
 tenho medo fracasso que pode acontecer
 é por isso que sinto a falta na ausência
 socorro esperado que nunca vem aparecer

 Quero a felicidade bem dentro de mim
 só tenho vácuo, perguntas a interrogar
 por que em tudo reclamo da vida
 solidão mortal para sempre viver?

 Intensamente imploro por um pouco de carinho
 atenção para os detalhes que posso dizer
 sentir sensações de pura harmonia
 desejo deixar de ser uma pessoa infeliz.


Sobre Envelhecer


" Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos!
De que adianta, é assim mesmo.
Isso é um processo natural. 
É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia.
Essa lei diz que: A energia de um corpo tende a se degenerar
e com isso a desordem do sistema aumenta.
Portanto, tudo que foi composto será decomposto,
tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar.
Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós.
Com o tempo os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam.
Sendo assim, relaxe e aproveite.
Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”.
Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha,
daqui a 10 anos ele estará todo carcomido.
O mesmo acontece a nós.
O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez.
Como disse um dos meus amigos à sua esposa: “me use, estou acabando!”.
Hilário, porém realista.
Ficar velho e cheio de rugas é natural.
Não queira ser jovem novamente, você já foi.
Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige.
Já viveu essa fase, reconcilie com a sua situação e permita que o passado se torne passado.
Esse é o pré-requisito da felicidade. “O passado é lenha calcinada.
O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto” como já dizia Cícero.
Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha,
da vasta cabeleira e do alto desempenho pra não se tornar caricatura de si mesmo.
Fazendo isso ganhará qualidade de vida.
Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado.
Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora.
A flor da idade ficou no pó da estrada.
Então, para que se preocupar?
Guarde os bisturis e toca a vida.
Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las!
Suas memórias estão salvas nelas.
Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais.
O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.
Essa resistência em aceitar as leis da natureza
acaba espalhando sofrimento por todos os cantos.
Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna,
as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos,
as loucas alegrias e os desenfreados prazeres.
Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e
condena a ruína sua própria alma.
Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase.
Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu.
Se não viveu na fase devida o melhor a fazer é esquecer.
A causa do sofrimento está no apego,
está em querer que dure o que não foi feito para durar.
É viver uma fase que não é mais sua.
Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios.
Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido.
Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento.
Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura.
A vida é o que importa. Concentre-se nisso.
A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.
Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas
e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero.
Faça o que pode ser feito com o que está disponível.
Quer um conselho? Esqueça.
Para o seu bem, esqueça o que passou.
Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está.
Coisas do passado não te pertencem mais.
Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos,
faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo,
aproveite essa disponibilidade e desfrute.
Aceitando ou não o processo vai continuar.
Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora.
Nada nos pertence.
O que importa é o que está dentro de nós; a velha máxima continua atual como nunca:
“quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.
Esse é o segredo de uma boa vida.. . "

sábado, 6 de setembro de 2014

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:

outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.


Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Laugh At Me - (Sonny Bono)



Why can't I, be like any guy? 
Why do they try to make me run? 
Son of a gun, now. 

What do they care, about the clothes I wear? 
Why get their kicks from making fun, yeah 

This world's got a lot of space 
and if they don't like my face 
It ain't me that's going anywhere, no 

so I don't care 
Let 'em laugh at me 
If that's the fare 
I have to pay to be free 
then baby 
Laugh at me, and I'll cry for you 
and I'll pray for you 
and I'll do all the things that the man upstairs says to do 
I'll do 'em for you 
I'll do 'em 
I'll do 'em all for you 

It's gotta stop someplace 
It's gotta stop sometime 

I'll make sure that she's mine 
And maybe the next guy 
that don't wear a silk tie 
he can walk by and say "Hi" 
say, "Hi" 
instead of why 
instead of why 
instead of why babe 
instead of why 
what did I do to you 
I don't know what to do 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Memória de Elefante


No seio misterioso da floresta indiana, vivia um caçador chamado Ky Shakhana.
Um dia ele avistou um pobre paquiderme deitado ali no chão, ferido, enorme, inerme.
Shakhana aproximou-se e, num sublime impulso, sentiu-lhe a febre ardente, então tomou-lhe o pulso,
Foi quando viu no pé do agônico elefante, a farpa que lhe causava a dor alucinante.
Rapidamente Ky num gesto habilidoso, logo extirpou-lhe o imenso espinho doloroso.
Depois, com agilidade e competência inata, vinte quilos de sulfa aplicou-lhe na pata.
Enrolou-lhe no artelho um band-aid gigante e por fim ministrou-lhe um galão de laxante.
Afastou-se o bichinho, feliz e curado, deixando do purgante o rastro almiscarado.
Muitos anos passaram. Já velho, Shakhana retomava alquebrado à sua cabana.
Mas eis que da floresta vem de supetão um elefante!
Pois vê nítido e claro, frente ao seu nariz, o band-aid em farrapos e a cicatriz.
O elefante sorri e olha com amor bem no fundo dos olhos do seu salvador, como se lhe dissesse com a pata no ar.”Ah! Me lembro de ti! Como não recordar…
Foi teu gesto gentil que salvou minha vida, aliviando-me a dor, me limpando a ferida!
Não existe elefante que disso se esqueça.
E depois, sutilmente, esmagou-lhe a cabeça.


Moral da história: 
A memória do animal, ninguém refuta,
Mas tem elefante que é filho da puta.



Vi esse poema no Jô Soares esses dias, e adorei... Vejam o link


domingo, 10 de agosto de 2014

ORAÇÃO DA MAÇANETA


ORAÇÃO DA MAÇANETA


Não há mais bela música
Que o ruído da maçaneta da porta
Quando o meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,
Da madrugada de estranhas vozes,
E o ruído da maçaneta e o gemer do trinco,
O bater da porta que novamente se fecha,
O tilintar inconfundível do molho de chaves,
São um doce acalanto, uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os meus olhos,
Posso afinal dormir e descansar.

Oh! A longa espera, a negra ausência,
As histórias de acidentes e assaltos
Que só a noite como ninguém sabe contar!

Oh! Os presságios e os pesadelos,
O eco dos passos nas calçadas,
A voz dos bêbados na,
E o longo apito do guarda medindo a madrugada,
e os cães uivando na distancia,
e o grito lancinante da ambulância!

E o coração descompassado a pressentir
E a martelar, na arritmia do relógio do meu quarto
Esquadrinhando a noite e os seus mistérios.

Nisso na sala que se cala,
Estala a gargalhada jovem da maçaneta
Que canta a festiva cantiga de retorno.

E sua voz engole a noite
Com todos os ruídos secundários.

Oh! Os címbalos do trinco,
E os clarins da porta que se escancara,
E os guizos das muitas chaves que se abraçam,
E o festival dos passos que ganham as escadas!
Nem as vozes da orquestra, e o tilintar de copos,
E a mansa canção da chuva no telhado,
Pode se quer se comparar ao som da maçaneta que
Sorri quando meu filho volta para casa.

Que ele retorne sempre são e salvo,
Marinheiro depois da tempestade,
A sorrir, e a cantar,

E que na porta a maçaneta cante sempre
A festiva canção de retorno que soa para mim,
Como uma suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
Posso afinal dormir e descansar.

Gioia Jr

Feliz dia dos Pais...!!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Felicidade (Vivaldo Coaracy - 91 Crônicas Escolhidas - 1961)



A Felicidade


Vês as amendoeiras e a sombra que derramam em volta?
Pois ali está a Felicidade: é aquilo.

Pára a cada uma dessas sombras que encontrares, enxuga o suor do rosto; goza a frescura da sombra; delicia-te com a amenidade da brisa; descansa.
Descansa e esquece a estrada.
Prolonga quanto puderes a parada.
Depois, terás que prosseguir, e seguirás.
Até que chegue a hora de voltar.
A Felicidade é isto.
Pequenos momentos, pequenas paradas, retalhos de sombra fresca na estrada isolada.
Aproveita-os todos, sempre que os encontrares no caminho.
E prolonga, enquanto for possível, o teu repouso nessas manchas de sombra convidativas.
Senta-te junto ao tronco e adormece.
Depois, quando seguires, esquecerás a sombra amiga onde terás colhido o beijo fugaz de Felicidade.
Mas irás encontrá-la de novo, à tua espera, debaixo doutra amendoeira mais adiante.
Não faças como eu fiz, que na sofreguidão de ir procurá-la onde ela não estava, não soube deter-me onde ela acenava.
E agora, na volta, à sombra das amendoeiras, só vejo a Saudade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Canção de Amor - (J. Alfred Prufrock)


A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock (tradução)

Então vem, vamos juntos os dois,
A noite cai e já se estende pelo céu,
Parece um doente adormecido a éter sobre a mesa;
Vem comigo por certas ruas semidesertas
Que são o refúgio de vozes murmuradas
De noites em repouso em hotéis baratos de uma noite
E restaurantes com serradura e conchas de ostra:
Ruas que se prolongam como argumento enfadonho
De insidiosa intenção
Que te arrasta àquela questão inevitável…
Oh, não perguntes “Qual será?”
Vem lá comigo fazer a tal visita.

Passeiam damas na sala para além e para aqui

E falam de Miguel Ângelo Buonarroti
A névoa amarela que esfrega as costas nas vidraças
O fumo amarelo que esfrega o focinho nas vidraças
Passou a língua dentro dos recantos da noite,
Demorou-se nos charcos que ficam na sarjeta,
Deixou cair nas costas a fuligem solta das chaminés,
Deslizou pelo terraço, de repente deu um salto,
E, ao ver serena aquela noite de Outubro,
Deu uma volta à casa, enroscou-se e dormiu.

Haverá por certo um tempo

Para o fumo amarelo que desliza pela rua
E esfrega as costas nas vidraças;
Haverá um tempo, tempo
De compor um rosto para olhares os rostos que te olharem;
Tempo de matar, tempo de criar,
E tempo para todos os trabalhos e os dias, de mãos
Que se erguem e te deixam cair no prato uma pergunta;
Tempo para ti e tempo para mim,
E tempo ainda para cem indecisões
E outras tantas visões e revisões
Antes de tomar o chá e a torrada.

Passeiam damas na sala para além e para aqui

E falam de Miguel Ângelo Buonarroti.

Haverá por certo um tempo

De pensar se corro tal risco. “Corro tal risco?”
Tempo de virar costas e descer as escadas
Com esta clareira calva no meio do cabelo –
(Hão-de dizer: “Este já tem pouco cabelo!”)
Com a casaca, colarinho hirto subido até ao queixo,
Gravata distinta e discreta mas ornada de um sóbrio alfinete –
(Hão-de dizer: “Que magro está, nos braços e nas pernas!”)
Vou correr o risco
De perturbar o universo?
Num só minuto há tempo
Para decisões e revisões, a revogar noutro minuto.

Pois já as conheço todas bem, conheço todas –

Sei as noites, as tardes, as manhãs,
Às colheres de café andei medindo a minha vida;
Sei que em breve agonia se esvaem as vozes
Abafadas na música de um quarto mais além.
Como havia eu de ousar, assim?

E já conheço os olhares, conheço todos –

Olhares que te reduzem a fórmulas e a dizeres,
E quando eu for apenas fórmula, esticado em alfinete,
Quando estiver na parede, trespassado, contorcido,
Como haverei então de começar
A cuspir as pontas de cigarro dos meus dias e jeitos?

E como havia eu de ousar, assim?

E já conheço os braços, conheço todos –
Braceletes nos braços brancos e nus
(Mas com uma penugem loira à luz do candeeiro)
Será pelo perfume de um vestido
Que sou levado assim a divagar?
Braços estendidos na mesa ou envoltos num xaile.
E havia eu de ousar assim?
Por onde havia eu de começar?

E se eu disser que dou passeios por becos quando anoitece,

E vou fitando o fumo que sobe do cachimbo
De homens em mangas de camisa, à janela, solitários?…

Eu devia ter sido um ferro de duas garras

A rasgar o fundo desses mares de silêncio.

E a tarde, a noite, a dormir tão sossegada!

Afagada por dedos esguios,
A dormir… exausta… ou a fingir,
Estirada aqui no chão, à beira de nós dois.
Depois do chá, dos bolos, dos gelados, eu tinha ainda
Aquela força que provoca a crise do instante?
Mas apesar de lágrimas e jejuns, lágrimas e preces,
E apesar de ter visto a minha cabeça (um tanto calva já) ser entreguenuma salva,
Não sou nenhum profeta – e isso pouco importa;
Já vi tremer o meu instante de esplendor
E vi o eterno lacaio agarrar-me a casaca, rindo sorrateiro,
E bastará dizer que tive medo.

E tinha valido a pena, depois de tudo isto,

Depois da geleia, das xícaras, do chá,
Entre porcelanas, a meio de qualquer conversa de nós dois,
Tinha valido a pena
Ter rematado o assunto com um sorriso,
Ter estreitado o universo numa bola
E fazê-la rolar, rumo a qualquer questão inevitável,
E dizer: “Sou Lázaro e venho de entre os mortos.
Voltei para vos contar tudo, vou contar-vos tudo” –
Se alguém, ajeitando a cabeça dela numa almofada,
Dissesse: “Não era nada disso que eu queria dizer
Não é isso, nada disso.”

E tinha valido a pena, depois de tudo,

Tinha mesmo valido a pena,
Depois dos pátios, dos poentes, das ruas chuviscadas,
Dos romances, das xícaras de chá, das saias arrastando pelo chão –
E depois disto e tantas coisas mais? –
Não é possível dizer mesmo o que quero dizer!
Mas se uma lanterna mágica mostrasse na tela a imagem dos nervos:
Tinha valido a pena
Se alguém, compondo a almofada ou tirando um xaile,
Dissesse, ao voltar-se para a janela:
“Não é isso, nada disso,
Não era nada disso que eu queria dizer.”

Não! Não sou o príncipe Hamlet e nem tinha que ser;

Sou um fidalgo da corte, desses que servem
Para aumentar a comitiva, abrir uma ou duas cenas,
Dar conselhos ao príncipe; instrumento dócil, é claro,
Reverente, satisfeito por ser prestável,
Político, meticuloso e avisado;
Cheio de sentenças doutas, um tanto obtuso todavia;
Às vezes, por sinal, quase ridículo –
Quase o bobo, às vezes.

Estou a ficar velho… Estou a ficar velho…

Hei-de andar com a dobra da calça revirada.

E se eu puxar atrás o risco do cabelo? Arrisco-me a trincar

um pêssego?
Hei-de vestir calça de flanela branca e passear na praia.
Já ouvi as sereias cantando, umas às outras.

Creio que para mim não vão cantar.

Tenho-as visto na direcção do mar a cavalgar as ondas
Penteando crinas brancas de ondas encrespadas
Quando o vento revolve as águas escuras e brancas.

Ficámos nas mansões do mar nós dois em abandono

Entre as ondinas com grinaldas de algas castanhas purpurinas
Até que vozes humanas nos despertam e morremos naufragados.

Tradução: João Almeida Flor




The Love Song of J. Alfred Prufrock (original)


Let us go then, you and I,

When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherized upon a table;
Let us go, through certain half-deserted streets,
The muttering retreats
Of restless nights in one-night cheap hotels
And sawdust restaurants with oyster-shells:
Streets that follow like a tedious argument
Of insidious intent
To lead you to an overwhelming question. . .
Oh, do not ask, “What is it?”
Let us go and make our visit.

In the room the women come and go

Talking of Michelangelo.

The yellow fog that rubs its back upon the window-panes

The yellow smoke that rubs its muzzle on the window-panes
Licked its tongue into the corners of the evening
Lingered upon the pools that stand in drains,
Let fall upon its back the soot that falls from chimneys,
Slipped by the terrace, made a sudden leap,
And seeing that it was a soft October night
Curled once about the house, and fell asleep.

And indeed there will be time

For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions
And for a hundred visions and revisions
Before the taking of a toast and tea.

In the room the women come and go

Talking of Michelangelo.

And indeed there will be time

To wonder, “Do I dare?” and, “Do I dare?”
Time to turn back and descend the stair,
With a bald spot in the middle of my hair -
[They will say: "How his hair is growing thin!"]
My morning coat, my collar mounting firmly to the chin,
My necktie rich and modest, but asserted by a simple pin -
[They will say: "But how his arms and legs are thin!"]
Do I dare
Disturb the universe?
In a minute there is time
For decisions and revisions which a minute will reverse.

For I have known them all already, known them all;

Have known the evenings, mornings, afternoons,
I have measured out my life with coffee spoons;
I know the voices dying with a dying fall
Beneath the music from a farther room.
So how should I presume?

And I have known the eyes already, known them all -

The eyes that fix you in a formulated phrase,
And when I am formulated, sprawling on a pin,
When I am pinned and wriggling on the wall,
Then how should I begin
To spit out all the butt-ends of my days and ways?
And how should I presume?

And I have known the arms already, known them all -

Arms that are braceleted and white and bare
[But in the lamplight, downed with light brown hair!]
Is it perfume from a dress
That makes me so digress?
Arms that lie along a table, or wrap about a shawl.
And should I then presume?
And how should I begin?

Shall I say, I have gone at dusk through narrow streets

And watched the smoke that rises from the pipes
Of lonely men in shirt-sleeves, leaning out of windows? . . .

I should have been a pair of ragged claws

Scuttling across the floors of silent seas.

And the afternoon, the evening, sleeps so peacefully!

Smoothed by long fingers,
Asleep . . . tired . . . or it malingers,
Stretched on the floor, here beside you and me.
Should I, after tea and cakes and ices,
Have the strength to force the moment to its crisis?
But though I have wept and fasted, wept and prayed,
Though I have seen my head (grown slightly bald) brought in upon a platter,
I am no prophet–and here’s no great matter;
I have seen the moment of my greatness flicker,
And I have seen the eternal Footman hold my coat, and snicker,
And in short, I was afraid.

And would it have been worth it, after all,

After the cups, the marmalade, the tea,
Among the porcelain, among some talk of you and me,
Would it have been worth while,
To have bitten off the matter with a smile,
To have squeezed the universe into a ball
To roll it toward some overwhelming question,
To say: “I am Lazarus, come from the dead,
Come back to tell you all, I shall tell you all”
If one, settling a pillow by her head,
Should say, “That is not what I meant at all.
That is not it, at all.”

And would it have been worth it, after all,

Would it have been worth while,
After the sunsets and the dooryards and the sprinkled streets,
After the novels, after the teacups, after the skirts that trail along the floor -
And this, and so much more? -
It is impossible to say just what I mean!
But as if a magic lantern threw the nerves in patterns on a screen:
Would it have been worth while
If one, settling a pillow or throwing off a shawl,
And turning toward the window, should say:
“That is not it at all,
That is not what I meant, at all.”

No! I am not Prince Hamlet, nor was meant to be;

Am an attendant lord, one that will do
To swell a progress, start a scene or two
Advise the prince; no doubt, an easy tool,
Deferential, glad to be of use,
Politic, cautious, and meticulous;
Full of high sentence, but a bit obtuse;
At times, indeed, almost ridiculous -
Almost, at times, the Fool.

I grow old . . . I grow old . . .

I shall wear the bottoms of my trousers rolled.

Shall I part my hair behind? Do I dare to eat a peach?

I shall wear white flannel trousers, and walk upon the beach.
I have heard the mermaids singing, each to each.
I do not think they will sing to me.

I have seen them riding seaward on the waves

Combing the white hair of the waves blown back
When the wind blows the water white and black.

We have lingered in the chambers of the sea

By sea-girls wreathed with seaweed red and brown
Till human voices wake us, and we drown.